Dona de clínica interditada é presa por se passar por médica e venda de remédios vencidos
Profissional da saúde é investigada pela prática de crimes contra a saúde pública em sua clínica de estética em Cuiabá [Fotos – PJC]
A Polícia Civil de Mato Grosso realizou, na manhã desta sexta-feira 24-04-2026, a prisão preventiva de uma enfermeira de 38 anos, dona de uma clínica de estética no bairro Jardim Europa, em Cuiabá. Ela é suspeita de atuar de forma irregular na área médica e de cometer crimes contra a saúde pública ao comercializar e utilizar medicamentos sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A apuração foi conduzida pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor e começou após uma denúncia feita à Vigilância Sanitária Municipal de Cuiabá, relatando possíveis irregularidades graves nos serviços oferecidos pela clínica.
Durante uma fiscalização conjunta, foram identificadas diversas infrações sanitárias. Entre elas, a realização de procedimentos estéticos invasivos — como aplicação de Plasma Rico em Plaquetas (PRP), ozonioterapia e soroterapia — que são exclusivos de médicos. Mesmo assim, esses procedimentos eram realizados pela investigada, que possui formação em enfermagem. Além disso, os agentes encontraram medicamentos fora do prazo de validade, produtos importados sem registro no Brasil e substâncias proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, incluindo toxina botulínica de origem sul-coreana e outros medicamentos utilizados de maneira irregular. Também foi constatado que esses itens estavam armazenados de forma inadequada, sem controle sanitário adequado, e que parte deles pode ter sido introduzida no país de forma ilegal.

“As inspeções também mostraram que a clínica operava sem alvará sanitário, não possuía manejo adequado de resíduos e não atendia às condições mínimas de biossegurança, colocando os pacientes em risco de contrair doenças graves”, declarou o delegado da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor, Rogério Ferreira. De acordo com o delegado, a manipulação de sangue em ambiente inadequado — especialmente nos procedimentos de PRP — elevava de forma significativa o risco de contaminação cruzada, infecções graves, necrose e até morte.
Mesmo após a interdição do estabelecimento pela Vigilância Sanitária, a investigada teria continuado atuando de forma clandestina. Segundo as apurações, ela retirava equipamentos do local interditado durante a noite e passou a atender pacientes em outros endereços, incluindo clínicas sem regularização, além de tentar abrir uma nova unidade com outro nome no bairro Jardim Europa, sem autorização dos órgãos competentes. As investigações também indicam que a suspeita se apresentava nas redes sociais como “Dra.”, promovendo procedimentos invasivos em áreas como rosto, glúteos e seios, atraindo clientes com cobrança antecipada via Pix, sem comprovar formação médica para a realização desses procedimentos.

Além da prisão preventiva determinada pelo Poder Judiciário, a partir de pedido do delegado da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor, foram impostas outras medidas cautelares. Entre elas estão o cumprimento de mandado de busca e apreensão, o fechamento imediato da clínica de estética, o bloqueio do registro da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), a suspensão das redes sociais da investigada e também do seu registro profissional junto ao Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso. A suspeita já possuía antecedentes por tráfico de drogas e, no momento em que foi presa nesta sexta-feira, utilizava tornozeleira eletrônica.
De acordo com o delegado Rogério Ferreira, as apurações seguem em andamento. Ele destacou que outros profissionais da área estética que estejam exercendo ilegalmente a medicina ou utilizando e comercializando produtos irregulares — especialmente voltados ao emagrecimento — poderão ser alvo de novas operações policiais, inclusive com pedidos de prisão preventiva.
Denúncias
A população pode denunciar casos de exercício ilegal da medicina ou venda de medicamentos irregulares por meio do telefone 197, pela Delegacia Digital ou diretamente em qualquer unidade da polícia.
Também é possível procurar a Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor, localizada na Rua General Otávio Neves, nº 69, no bairro Duque de Caxias I, em Cuiabá, de segunda a sexta-feira, em horário comercial, ou enviar informações pelo e-mail decon@pjc.mt.gov.br.

