Protestos contra hiperinflação e crise econômica ganham força no Irã
O Irã encerra o ano de 2025 mergulhado em uma profunda crise social e econômica. Nesta quarta-feira (31), as mobilizações contra o elevado custo de vida e a hiperinflação chegaram ao seu quarto dia consecutivo, ganhando o reforço de estudantes em pelo menos dez universidades de prestígio, incluindo centros em Teerã, Isfahan e Yazd. O movimento, iniciado por comerciantes do setor de tecnologia, expandiu-se rapidamente após o rial iraniano derreter no mercado paralelo, ultrapassando a marca de 1,4 milhão de riais por dólar.
Diante da pressão das ruas, o presidente Masoud Pezeshkian adotou um tom conciliador, solicitando ao Ministério do Interior que ouça as “demandas legítimas” da população. No entanto, o cenário nas ruas de Teerã é de forte tensão, com a tropa de choque mobilizada nas principais praças e avenidas. Para esta quarta-feira, o governo decretou o fechamento de prédios públicos e escolas sob a justificativa de economia de energia devido ao frio intenso, embora observadores vejam a medida como uma tentativa de desmobilizar os protestos.
Indicadores da Crise Econômica
A economia iraniana sofre os efeitos combinados de sanções internacionais severas e tensões militares recentes com os Estados Unidos:
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Inflação Descontrolada: Em dezembro de 2025, os preços subiram, em média, 52% em termos anuais, corroendo o poder de compra da classe média e dos trabalhadores.
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Desvalorização Cambial: Em apenas um ano, a moeda perdeu quase metade do seu valor frente ao dólar, paralisando o comércio de produtos importados e gerando desabastecimento.
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Sanções e Isolamento: O restabelecimento de penalidades pela ONU em setembro, somado aos ataques militares sofridos pelo país no início do ano, estrangularam as rotas comerciais e o fluxo de capital.
Resposta Política e Troca no Banco Central
Na tentativa de sinalizar uma mudança de rumo, o governo anunciou o retorno de Abdolnasser Hemmati à presidência do Banco Central. Hemmati, que já ocupou o cargo anteriormente, assume a função com a missão quase impossível de estabilizar o câmbio. Enquanto isso, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou para o risco de “caos” e instou os deputados a criarem medidas urgentes para elevar o poder aquisitivo da população.
Impacto no Cotidiano
O clima de incerteza fez com que muitos mercados e cafeterias em Teerã fechassem as portas na véspera do Ano Novo. Relatos de manifestantes indicam um sentimento de abandono pelas elites políticas. “Nenhum dirigente tentou entender como a taxa do dólar afeta nossas vidas”, desabafou um comerciante sob anonimato. A paralisação das vendas é uma estratégia de sobrevivência para lojistas que temem vender produtos hoje e não ter capital suficiente para repor o estoque amanhã devido à oscilação diária dos preços.

