Militarização das escolas avança sem ouvir os profissionais da educação

Militarização das escolas avança sem ouvir os profissionais da educação

Professores da rede estadual de Mato Grosso manifestaram, nas redes sociais através de mensagens as quais do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) teve acesso, a indignação com o descaso ao posicionamento dos educadores no processo de transformação das unidades para o modelo cívico-militar. Afirmam que a informação divulgada pela Seduc-MT, sobre a participação de servidores no processo de escolha, é falsa.

As manifestações surgiram após o anúncio do pacote de 64 escolas militarizadas na rede estadual em 2026, e diante de um novo pacote anunciado com outras 17 unidades. Segundo os relatos, o processo ocorre sem consulta a quem atua diariamente no espaço escolar: professores e funcionários.

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Conforme uma professora da rede estadual que procurou o Sindicato, mas prefere não se identificar diante da pressão existente nas unidades escolares, especialmente contra quem se manifesta contrário ao modelo. “O bullying não existe apenas entre estudantes”, afirma.

Segundo a educadora, ao contrário do que foi divulgado no site da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), não houve participação efetiva de professores e funcionários na decisão sobre a adoção do modelo. 

“Sequer ocorreram debates com a comunidade escolar. Na minha escola houve apenas uma ‘assembleia’ com os pais, cuja natureza foi um militar explicar que esse modelo traria segurança e disciplina para a escola”, relata.

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Enquanto vivem um processo de silenciamento, medo e pressão – marcado por assédio e intimidação dentro das escolas, inclusive por membros da própria categoria que hoje ocupam cargos de direção e seguem à risca a orientação do governo – os grupos de WhatsApp têm se tornado espaços de debate entre os profissionais.

 REPRODUÇÃO

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Educadores se revoltam com desrespeito em consulta sobre mudança no modelo educacional

Outro profissional da educação, que integrou a gestão de uma unidade militarizada, também confirmou o silenciamento. Conforme relata, são orientados a não se manifestarem sobre a mudança do modelo, nas redes sociais; apenas alguns educadores podem fazê-lo.

Até onde ouvi, a ordem vem de cima para a mudança das escolas para o modelo cívico-militar. Antes, diziam que era a escola que pedia, chamava a comunidade, conversava e, com a concordância da comunidade, solicitava essa mudança. Mas não é assim que está funcionando. Na verdade, a lista já estava pronta e as escolas, tendo solicitado ou não, iriam para essa consulta pública, e a comunidade foi convencida com o discurso de que seria para garantir segurança.

Entre os temas que mais repercutiram entre os educadores está a divulgação, por parte do governo, da suposta participação dos servidores na votação. Professores e funcionários contestam essa versão. “Nem professores, nem funcionários participaram desse processo”, afirmam, destacando que os trabalhadores da escola têm sido cada vez mais invisibilizados pelo governo Mauro Mendes.

 LATUFF

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Modelo militarizado é imposto diante da falta de diálogo e concordância de toda a comunidade escolar

Sobre a validação de alguns profissionais à militarização, uma professora avalia que isso também se relaciona com a realidade cada vez mais difícil enfrentada nas escolas. Segundo ela, muitos professores acabam aceitando o modelo para lidar com a violência presente na rotina escolar.

“Antes trabalhávamos com 20 turmas e agora são 24, depois de ganharmos mais uma hora-aula. Isso pode significar atender mais de 700 estudantes. Fica difícil até sabermos o nome dos alunos. É um processo de desumanização, uma violência da escola também com os estudantes transformados em números”, afirma.

Nesse cenário, avalia a professora, parte dos profissionais acaba vendo com naturalidade a presença de policiais no ambiente escolar, ainda que isso possa significar restrições ao respeito à diversidade, à individualidade dos estudantes, à livre manifestação e ao direito à identidade.

Por: Roseli Riechelmann- Sintep-MT

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