Justiça itinerante: juiz realiza audiência em terreiro de comunidade rural na Bahia

Justiça itinerante: juiz realiza audiência em terreiro de comunidade rural na Bahia

Uma cena inusitada em Ribeira do Pombal, no interior da Bahia, viralizou nas redes sociais ao mostrar o juiz Luiz Carlos Vilas Boas realizando uma audiência no terreiro de uma casa simples. O magistrado decidiu levar o Tribunal até o jurisdicionado — um morador que, após sofrer um AVC, perdeu a fala e a mobilidade. Diante da ausência de sinal de internet na zona rural e da impossibilidade de deslocamento da vítima ao fórum, o juiz entendeu que o passo natural para garantir o acesso à Justiça era a presença física na localidade.

Para o magistrado, a ação não foi um gesto de caridade, mas o estrito cumprimento de seu dever funcional. Ele destaca que a imagem do juiz “encastelado” e distante da realidade social precisa ser desconstruída. Luiz Carlos defende que a imparcialidade não deve ser confundida com isenção ou falta de vivência, ressaltando que conhecer o cotidiano das comunidades rurais é essencial para proferir decisões mais justas e conectadas com a vida concreta das pessoas.

Os pilares da justiça humanizada no interior

A iniciativa reflete uma tendência de modernização e desburocratização no sistema jurídico brasileiro:

  • Acesso Real: Quando as barreiras físicas e digitais impedem o rito comum, o Judiciário deve remover os obstáculos para que o processo aconteça.

  • Pacificação Social: A presença do juiz na comunidade reduz tensões e humaniza a figura da autoridade, gerando acolhimento emocional para as famílias.

  • Foco no Cidadão: Mesmo com um acervo de mais de 7 mil processos, o magistrado reforça que cada caso é o “processo da vida” para aquela família específica.

  • Uso da Tecnologia: O juiz destaca que, embora utilize inteligência artificial para organizar fluxos, a sensibilidade humana permanece insubstituível no ato de julgar.

O impacto da transparência e das redes sociais

A foto da audiência, compartilhada inicialmente por uma servidora, serviu como um contraponto à crise de imagem que muitas instituições públicas enfrentam. Luiz Carlos Vilas Boas, integrante de uma nova geração de magistrados, acredita que a transparência desses atos ajuda a sociedade a entender que existe humanidade por trás das togas. Segundo ele, o Judiciário moderno busca ser proativo e eficiente, utilizando a tecnologia como aliada, mas sem abrir mão do “cafezinho caseiro” e do contato direto com o povo que move as engrenagens do Direito.

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