Gustavo Petro convoca mobilização nacional contra ameaças de intervenção dos EUA
A Venezuela vive um momento de ruptura institucional e tensão internacional extrema após a incursão militar dos Estados Unidos que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em 3 de janeiro de 2026. Sob o comando de Donald Trump, a ação ignorou o Conselho de Segurança da ONU e a própria Constituição estadunidense, mergulhando a América Latina em um cenário de “vale tudo” diplomático. Nesse contexto, Delcy Rodríguez assume a Presidência da República com o apoio da Suprema Corte e das Forças Armadas, tornando-se a figura central na defesa da soberania venezuelana e da continuidade da Revolução Bolivariana.
A trajetória de Delcy é marcada pela história política de sua família e por uma sólida formação acadêmica na Europa. Filha de Jorge Antonio Rodríguez, líder socialista assassinado sob tortura em 1976, ela traz consigo uma herança de luta anti-imperialista que moldou sua atuação como ministra, chanceler e vice-presidenta. Conhecida por sua firmeza diplomática e habilidade técnica, Delcy foi peça-chave na recuperação econômica do país entre 2020 e 2025, implementando medidas para driblar sanções internacionais e estabilizar a inflação, preparando o Estado para o atual embate direto com Washington.
Perfil e trajetória da nova presidenta
Delcy Rodríguez combina experiência acadêmica internacional com décadas de militância no chavismo:
-
Formação e Exílio: Formada pela Universidade Central da Venezuela, possui mestrado em Política Social pela Birkbeck (Londres) e fluência em inglês e francês.
-
Ascensão Política: Atuou como ministra do Despacho da Presidência sob Hugo Chávez e foi chanceler de Maduro, período em que enfrentou a suspensão da Venezuela no Mercosul.
-
Gestão Econômica: Como vice-presidenta e ministra da Economia, liderou a Lei Antibloqueio, que permitiu a recuperação do PIB e o controle da hiperinflação.
-
Postura Diplomática: É célebre pela frase “se não me deixam entrar pela porta, entrarei pela janela”, dita ao ser barrada em uma cúpula em Buenos Aires.
O cenário de “vale tudo” global
Analistas geopolíticos alertam que o ataque à Venezuela representa a decomposição das regras estabelecidas no pós-Segunda Guerra Mundial. A resposta do “Império do Norte” à ascensão de blocos como o BRICS parece ser uma retomada agressiva da Doutrina Monroe, buscando controle irrestrito sobre os recursos naturais da América Latina. O sequestro de um chefe de Estado eleito estabelece um precedente sombrio para outras nações da região, como o Brasil, que carecem de poder militar de dissuasão frente a potências nucleares.
Resistência e mobilização popular
Apesar das ameaças de Donald Trump, que declarou intenção de governar o país até uma transição, o governo do PSUV permanece operante. Delcy Rodríguez exigiu a libertação imediata de Maduro e Cilia Flores, reafirmando que a Venezuela “jamais será colônia”. As ruas de Caracas e outras cidades registram protestos massivos contra a intervenção externa, com um aumento significativo no alistamento popular no Exército Bolivariano, demonstrando que a revolução mantém sua base de apoio mesmo sob cerco militar direto.

