Crime Ambiental no Café Sem Troco: PMDF flagra destruição de 10 hectares de Cerrado nativo
Uma nova operação do Batalhão de Policiamento Rural expôs a gravidade do avanço de crimes ambientais na região do Café Sem Troco, no Distrito Federal. Durante patrulhamento realizado nesta terça-feira (26 de janeiro de 2026), equipes do Grupamento de Operações no Cerrado confirmaram a reincidência de irregularidades em uma área que já vinha sendo monitorada desde o dia 22.
A ação resultou na descoberta de uma área degradada estimada em 10 hectares. No local, os policiais flagraram a supressão recente de vegetação nativa, incluindo espécies fundamentais do bioma, como barbatimão, sucupira, embaúba e pequizeiros — este último protegido por lei devido à sua importância ecológica e cultural.
Indícios de Grilagem e Parcelamento Irregular
O que mais chamou a atenção da corporação foi a organização da ocupação. Além do desmatamento, a fiscalização identificou:
-
Piquetamento do terreno: Marcações que indicam a divisão de lotes para venda ilegal.
-
Barracões de lona: Estruturas improvisadas para consolidar a posse da terra.
-
Materiais apreendidos: Arame farpado e ferramentas utilizadas para o cercamento do solo público.
Segundo a Polícia Militar (PMDF), a fuga de dois suspeitos ao avistarem a viatura reforça o caráter criminoso da atividade. Após perseguição pela mata, um homem de 42 anos foi alcançado e detido.
Consequências Legais
O suspeito, que não possuía antecedentes criminais, foi conduzido à 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião). Ele foi autuado em flagrante por:
-
Esbulho Possessório: Atentar contra a posse de propriedade alheia (neste caso, pública).
-
Crime contra a Flora: Destruição de vegetação nativa sem autorização dos órgãos competentes.
As autoridades alertam que o parcelamento irregular de solo em áreas de preservação compromete o lençol freático e a sobrevivência da fauna local, além de alimentar o mercado ilegal de terras na capital federal.

