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A tensão nos bastidores da direita brasileira ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (21), após o senador Flávio Bolsonaro comentar o cancelamento da visita do governador Tarcísio de Freitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, detido na Papuda. Em uma tentativa de conter as especulações sobre um rompimento, Flávio afirmou que “só Tarcísio pode falar por que adiou a visita”, mas não recuou das declarações que teriam motivado o mal-estar: a de que o governador deve focar na reeleição em São Paulo, deixando o caminho livre para o clã Bolsonaro no cenário presidencial.
O adiamento ocorreu logo após Flávio antecipar publicamente que o pai pretendia vetar as pretensões presidenciais de Tarcísio para 2026. Segundo o senador, essa diretriz não é uma surpresa, citando uma carta de Jair Bolsonaro, datada de dezembro de 2025, que já apontava o próprio Flávio como o nome do grupo para o Palácio do Planalto. No entanto, interlocutores do Palácio dos Bandeirantes indicam que Tarcísio estaria “cansado de levar rasteiras” e de ser alvo de críticas do núcleo duro bolsonarista sempre que demonstra autonomia política ou administrativa.
Oficialmente, o governo paulista sustenta que o adiamento deveu-se a “compromissos de agenda no estado”. Contudo, a isonomia das relações políticas sugere um cálculo mais complexo. Aliados de Tarcísio avaliam que comparecer à Papuda neste momento, sob as condições impostas pela família Bolsonaro, resultaria em constrangimentos públicos e em uma imagem de submissão que o governador, atual vitrine da direita moderada e técnica, busca evitar.
No vídeo abaixo, acompanhe os detalhes da entrevista de Flávio Bolsonaro e a análise sobre como esse distanciamento tático pode redesenhar as alianças para o próximo pleito presidencial.
Apesar do ruído, Flávio Bolsonaro buscou manter uma porta aberta, declarando que “um precisa do outro” para derrotar o atual governo federal. Essa dependência mútua é real: Tarcísio governa o maior colégio eleitoral do país e detém alta aprovação, enquanto o bolsonarismo ainda controla uma base digital e militante capaz de influenciar votos em massa. O desafio do governador tem sido equilibrar essa lealdade histórica com a necessidade de governar para além da bolha ideológica, atraindo investimentos e parcerias internacionais para São Paulo.
O desfecho dessa crise de confiança depende de como os diálogos evoluirão nos próximos dias. Uma nova data para a visita ainda não foi solicitada ao STF, o que mantém o clima de incerteza. Para os observadores políticos, o episódio é um marco: pela primeira vez, Tarcísio parece ter colocado um limite claro aos “constrangimentos públicos” mencionados por seus aliados, priorizando a estabilidade de seu governo estadual frente às disputas sucessórias precoces.
A estratégia de Flávio Bolsonaro em reafirmar sua pré-candidatura pode consolidar sua base, mas corre o risco de isolar aliados estratégicos. No tabuleiro de 2026, a força de Tarcísio de Freitas é um ativo que a direita não pode se dar ao luxo de perder, e o governador parece estar ciente de que, no momento, o tempo e os resultados de sua gestão em São Paulo jogam a seu favor.

