Cientistas revelam mapa inédito da topografia oculta sob o gelo da Antártida
O lendário projeto SETI@home, que por mais de duas décadas utilizou o poder de processamento de computadores domésticos em todo o mundo, está próximo de concluir sua análise final. Após o colapso do Observatório de Arecibo em 2020, os pesquisadores conseguiram filtrar um oceano de 12 bilhões de sinais de rádio acumulados desde 1999, reduzindo a lista para os 100 candidatos mais promissores. Esses sinais estão agora sendo reavaliados pelo Telescópio Esférico de Abertura de Quinhentos Metros (FAST), na China, o atual sucessor de Arecibo em sensibilidade e escala.
Embora nenhuma evidência definitiva de tecnologia extraterrestre tenha sido encontrada até o momento, os resultados publicados no The Astronomical Journal em 2025 estabelecem um novo patamar de sensibilidade para a astronomia. O projeto focou em sinais de banda estreita próximos à frequência de 21 centímetros (a linha do hidrogênio), considerada um “ponto de encontro” universal para comunicações interestelares. David Anderson, cofundador do projeto, destacou que o legado do SETI@home não é apenas a busca por “homenzinhos verdes”, mas o sucesso sem precedentes da ciência cidadã em escala global.
O legado do Observatório de Arecibo e o SETI@home
A busca por inteligência extraterrestre (SETI) transformou a forma como voluntários participam da ciência:
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Poder do Crowdsourcing: Iniciado com uma expectativa de 50 mil voluntários, o projeto alcançou mais de 2 milhões de usuários em 100 países.
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Filtragem de Dados: Um supercomputador do Instituto Max Planck eliminou bilhões de interferências terrestres para isolar o “top 100”.
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A Mensagem de 1974: O histórico de Arecibo inclui a famosa transmissão binária de Carl Sagan, enviada para o aglomerado estelar M13.
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Frequência de Busca: O foco no comprimento de onda de 21 cm baseia-se na abundância de hidrogênio no universo, um marcador natural para astrônomos de qualquer galáxia.
O futuro da caçada por ETs com o telescópio FAST
Com o fim das operações em Arecibo, o telescópio chinês FAST assumiu o protagonismo na análise de sinais de rádio. Os pesquisadores acreditam que a tecnologia atual, muito superior à de 1999, permite identificar padrões que antes passariam despercebidos. Mesmo que o resultado final seja o silêncio, o projeto provou que é possível monitorar grandes porções do céu com uma precisão inédita. Para Eric Korpela, diretor do projeto, a análise de dados servirá como manual para futuras missões, garantindo que a humanidade esteja pronta para ouvir caso o “ET ligue para casa”.

